terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
O Início de Tudo!!!
02:51 | Postado por
XARÁ |
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Nasci numa manhã amena do mês de março. Apesar de ser verão, aquele dia parecia especial, pois a temperatura estava tenra na serra. Clima das montanhas. Tudo conspirava a favor. Minha mãe deu entrada na maternidade às 8 da manhã e às 10 e meia, eu estava vendo pela primeira vez o mundo. Tudo foi mágico, meu pai me pegou no colo e chorou de emoção. Meus avós estavam felizes da vida, pois era muita felicidade! Um menino, cheio de saúde, com quase 4 quilos! Um meninão! Assim que as enfermeiras acabaram de me limpar e fazer os exames que fazem em um recém nascido, fui para o colinho quentinho da minha mamãe para mamar e ser paparicado por todos que foram me visitar. Afinal, o nascimento de uma criança é a alegria de toda família!
Seria perfeito se tivesse sido realmente assim...
Vim ao mundo numa tarde calorenta de janeiro em Bangu. O verão estava de matar aquele ano. O Rio de Janeiro parecia a filial do inferno. Minha mãe, com 17 anos, totalmente despreparada, drogada, fugira da casa dos pais, pois eles não aceitaram a sua gravidez. Nasci em um barraco de madeira com piso de terra batida. Foi em um colchonete sujo que vim ao mundo. Sem nenhum tipo de assepsia ou conforto. Meu cordão umbilical foi cortado com uma tesoura cega e sabe Deus quem o cortou. E, ao invés de ir para o colo confortável de minha mãe para mamar, fiquei deitado no colchão enquanto ela partia em busca de um pouco de droga para usar, afinal, parir uma criança é um bom motivo pra se drogar, não acham?
Mas não posso reclamar de falta de sorte. Aliás, sempre pude contar com ela, pois só o fato de ter nascido nessas condições precárias e estar aqui, escrevendo essas linhas já é um grande sinal de que sou um cara de sorte. Não acham?
Bem... Sabe-se lá como, Deus iluminou a cabeça dessa pobre jovem, e ela, drogada, sem dinheiro, sem ter pra onde ir e com uma criança no colo, foi procurar abrigo na casa dos tios, que sempre lhe trataram como filha e sempre lhe davam abrigo quando necessário, pois sabiam que ela não tivera estrutura familiar nenhuma. Seu pai era um malandro decadente da velha guarda do Rio de Janeiro. Um moreno alto, boa pinta, era o tipo que gostava de se dar bem em tudo. Tinha várias mulheres e não tinha compromisso com nenhuma delas. Aliás, não tinha compromisso com nada. O típico malandro carioca. A mãe, uma pobre coitada, vivia de favores e biscates. Só sabia assinar o próprio nome e vivia correndo atrás do marido pilantra. A única referência familiar que a pobre menina tinha, eram os tios. Mas, pela educação (ou falta dela), ela não ficava por muito tempo com os tios, pois, devido às amizades e as drogas, logo ela se enchia do ambiente familiar e caia novamente no mundo.
Eu poderia ter morrido se não fosse o episódio que vem a seguir, pois ela não tinha a menor condição de cuidar de um bebê.
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